Sommelier de maconha, novo ofício no Canadá

A empresa AHLOT publicou um anúncio em setembro de 2018 em busca de um grupo de provadores de maconha para selecionar e comercializar produtos de alta qualidade, como consequência do novo marco legal da erva no Canadá para fins recreativos. “Éramos cerca de 25.000 candidatos, o anúncio era só para canadenses, mas a repercussão na mídia fez com que viessem pessoas de todo o mundo”, conta Dominguez, um dos oito finalistas. “A AHLOT criou uma equipe com perfis diferentes, embora todos tenham muita experiência. Eu, por exemplo, venho do cultivo”, acrescenta.
No seu trabalho, ele deve preencher vários formulários, levando em conta aspectos como aroma, sabor, efeitos psicotrópicos e apresentação. “O consumidor de cannabis vai apreciá-la primeiro através dos olhos, depois com o nariz e então com a boca”, comenta. “Devido à minha experiência como cultivador, tenho muito interesse em saber como a planta cresceu”, acrescenta. Dominguez diz que para a degustação fuma cigarros enrolados ou usa o vaporizador, mas se um produto chama sua atenção, ele o consome das duas maneiras para distinguir melhor as nuances.
Perguntado se tinha predileção sobre alguma espécie de cannabis – índica, sativa, híbrida -, disse que gosta de muitas: “Não tenho uma preferência específica, é como o vinho, existe um apropriado para cada ocasião.”
Alimentos à base de cannabis e resinas serão legais no Canadá a partir de outubro. Dominguez acredita que o mercado de seu país tomará a mesma direção que o de alguns lugares dos Estados Unidos. “A maioria das vendas será de produtos derivados. Acho que a maconha para fumar será principalmente de alta qualidade”, explica o faixa preta no assunto.

José Dominguez em sua empresa de assessoria CannaCopeia.
📸: cortesia

Comentário:
E o Brasil vai ficando para trás nesse quesito da descriminalização das drogas. Continua atrelado à antiga visão e imposição dos Estados Unidos sobre o tema e prosseguindo com a guerra às drogas e o encarceramento em massa, com todo o seu corolário nefasto. Por que não acompanhar o exemplo da ex-metrópole, Portugal, que se vem dando muito bem na sua política sobre drogas? Nos EUA, como se sabe, os estados legislam independentemente da União sobre vários assuntos e a California é, hoje, responsável por 80% da maconha produzida no mundo. Não são poucas as cidades daquele país que se tornaram superavitárias com a iniciativa da discriminalização e a produção de derivados da cannabis, seja para uso medicinal, recreativo ou alimentar. E a produção segue a todo pano. Autorizado o cultivo da erva no Brasil, logo faríamos frente aos gringos: terras apropriadas, muito sol (como requer a planta), água em abundância e mão de obra à vontade não nos faltam. Falta o quê, então? Vontade política, superar preconceitos estabelecidos, notadamente pelas igrejas aqui estabelecidas e, talvez o mais grave, vencer a resistência dos que têm interesses – além dos traficantes -, por razões inconfessáveis, na manutenção do status quo.

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