O crak assassinou o nosso craque da viola, Rodrigo Azevedo

 Vítima da droga, o violeiro Rodrigo Azevedo foi brutalmente assassinado na última sexta-feira (18), no Mercado Sul, no Bairro Morrinhos, em Montes Claros. O motivo? Uma pedra de crack, que é vendida a R$ 5 nos quatro cantos da cidade.

O nosso craque da viola, Rodrigo Azevedo, sem dúvida fazia parte da prateleira de cima dos melhores violeiros do Brasil, juntamente com Almir Sater, Ivan Vilela, Roberto Corrêa, Chico Lobo & Cia. Era comparado, com as devidas proporções, com o também norte-mineiro Tião Carreiro, que fazia a viola conversar.
Quem já participou da Folia de Alto Belo, de Téo Azevedo, sabe disso. Com todo respeito aos demais violeiros, Rodrigo era o melhor deles, e, sem sombras de dúvidas, a atração maior daquela festa.
Sobrinho de Téo Azevedo, Rodrigo se entregou às drogas, principalmente o crak, mas não esqueceu de dedilhar a viola. Aliás, tinha um talento especial para praticamente qualquer instrumento em que colocava as mãos: violão, pandeiro, rabeca, baixo, guitarra e até bateria.
No Mercado Sul, por exemplo, onde foi assassinado, Rodrigo gostava de dar suas canjas e sempre ganhava sua pinga, cigarro e até um trocado para comprar a pedra de crak, que acabou sendo sua ruína.

As pessoas que consomem o crack têm morrido mais das mortes violentas do que de qualquer doença grave. A proporção é muito maior do que na população geral. A vida fica mais curta porque, com a droga, o usuário tem que se relacionar com um mercado ilegal. O efeito devastador do crack na saúde do viciado, que vai definhando com a droga, não é a principal causa de morte desses usuários.

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sobre a causa de morte de quem consome a droga — a única feita até hoje no país sobre o tema — revela que 56,5% dos viciados são assassinados. A Aids, responsável por 26% dessas mortes, vem em segundo lugar. A overdose da chamada “droga da morte” mata menos de 9% dos usuários, de acordo com o levantamento.
O crack é produzido a partir da mistura da pasta-base da cocaína, ainda não purificada, com bicarbonato de sódio e água. Esse tipo de processamento da droga ajuda a baratear o seu custo, mas também a torna ainda mais perigosa do que outras substâncias — como a própria cocaína refinada, por exemplo.

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