Após revitalizado, viaduto do Roxo Verde ganha obras de arte em homenagem a Ray Colares

 O viaduto Augusto José Souto, no bairro Roxo Verde, foi completamente revitalizado pela Prefeitura de Montes Claros e as obras do novo visual serão inauguradas nessa terça-feira (15). O local foi rebaixado em um metro, aumentando sua altura de 3,2 para 4,2 metros.

O viaduto do Roxo Verde, como é conhecido, ganhou obras de arte em homenagem ao artista plástico Raymundo Felicíssimo Colares, o Ray Colares, com as assinaturas da arquiteta Suzane Ribeiro e do artista plástico Gu Ferreira, e executada por Gu Ferreira e pelos pintores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O viaduto é uma das várias obras abandonadas, inacabadas ou mal feitas que foram concluídas pelo prefeito Humberto Souto.

Natural de Grão Mogol, Raymundo Felicíssimo Colares nasceu em 1944 e faleceu em Montes Claros, em 1986. Ele foi um artista único na cena experimental da arte brasileira do final dos anos 1960. O rigor formal da tradição construtiva aliou-se nele ao ruído urbano e expressivo da nova figuração e à urgência comunicativa da arte pop.
No catálogo da exposição Nova objetividade brasileira (1967), que foi a estreia de Colares na cena artística, Hélio Oiticica redige uma espécie de manifesto pós-neoconcreto, levando em consideração os desdobramentos experimentais da arte brasileira recente dentro de um momento político específico: o golpe militar e a intensificação da resistência política e contracultural.
Ele divide o texto em seis itens que resumiriam as principais tendências poéticas presentes naquela exposição. Quatro delas parecem-me determinantes para a compreensão do desenvolvimento da obra de Colares: a vontade construtiva, a chegada ao objeto, a participação do espectador e a rebeldia dadá. Quase toda a sua obra cabe aí.
Em Colares, a apropriação de uma geometrização concreta do espaço pictórico dar-se-ia através de um olho atravessado pela estrutura visual das histórias em quadrinhos e pela confusão sedutora da desordem urbana, metaforizada pela fragmentação dos ônibus cortando o campo perceptivo. De início eles se compunham numa narrativa costurada por uma polifonia espacial, justapondo perspectivas, movimentos e planos de cor. É uma narrativa visual que não se desdobra no tempo, mas se fragmenta no espaço, multiplicando os dados perceptivos na vertigem de um corpo atravessado pela confusão da cidade.
Entre 1966 e 1970, ano em que ganhou o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Arte Moderna, sua obra teve um desenvolvimento espetacular. Do movimento virtual das pinturas dos ônibus, passando pelas trajetórias em metal e chegando às páginas de cor multidirecionais dos Gibis, o que se percebe na poética de Colares é uma coerência plástica notável.
Entre 1971 e 1973, viveu em Nova York, Milão e Trento. De volta ao Brasil, passando por dificuldades financeiras e psicológicas, afastou-se do circuito de arte. Apenas no começo da década de 1980 iria retomar a carreira. O lance trágico viria em seguida. Depois de uma longa relação poético-visual com os ônibus, acabou atropelado por um deles. Recuperando-se em Montes Claros, morreu em 1986 queimado na cama do hospital em um incidente até hoje sem explicação.
A obra de Colares tem um lugar especial na história da arte brasileira, como um elo singular de ligação entre a pintura moderna, a vontade construtiva, a tendência experimental e o amor ao mundo.
“As obras de artista Raymundo Colares, o nosso Ray Colares, está associada a todo um processo de reformulação da imagem no nosso país, ligado desde a cultura popular até a programação visual, fotografia e cinema”, disse o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Paulo Ribeiro.

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