Escola de Lontra troca coronel por escritor

      - Simão Campos foi substituído por Guimarães Rosa -

     Foi publicado no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais da última terça-feira (24), a mudança do nome da Escola Estadual Simão Campos para Escola Estadual Guimarães Rosa, na cidade de Lontra. 

     

    “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.” Guimarães Rosa

    Segundo o diretor da escola, Osmar Rodrigues Gusmão, a substituição do nome foi um pedido da comunidade lontrense, para que a cidade se livrasse do ranço do coronelismo, que perdurou no município durante várias décadas.

    Com a medida, também se evita a duplicidade de nome, pois em São João da Ponte, município ao qual Lontra já foi subordinada, há outra escola com o nome de Simão Campos, o que sempre criava problemas, especialmente na Superintendência Regional de Ensino de Montes Claros.
    “Lontra viveu 62 anos sobre a tutela de São João da Ponte. Começou em 1930, quando o município de São João da Ponte foi emancipado e terminou somente em 1992, quando Lontra virou cidade. Neste período, a cidade viveu sobre a égide de um coronelismo, que lamentavelmente, ainda perdura em alguns logradouros de Lontra até hoje, como era o caso dessa escola”, conta Osmar Gusmão.
    Para ele, era preciso esquecer esse período triste da história local e homenagear quem de fato enalteceu a educação, caso do escritor Guimarães Rosa, considerado um dos maiores escritores da literatura brasileira. O diretor lembra que a maior parte de suas histórias tem como cenário o sertão e o interior de Minas Gerais, o que faz de Guimarães Rosa um dos principais representantes do regionalismo brasileiro. “Especialmente por causa de sua grandiosa obra Grande Sertão veredas, que exalta o Norte de Minas, inclusive citando a cidade de Lontra”, justifica Gusmão.
    Simão Campos, por sua vez, foi um coronel, segundo sua neta, a professora Cynara Silde Mesquita Veloso, que, por ocasião de uma dissertação de mestrado, fez um estudo sobre o poder na cidade de São João da Ponte durante cinco décadas. Ela escreveu o livro Coronelismo em São João da Ponte – 1946 a 1996.

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